Eleição segue indefinida, aponta pesquisa

A coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o bloco da oposição sionista conquistariam, cada um, 53 das 120 cadeiras do Knesset se as eleições fossem realizadas hoje. A projeção deixa ambos os lados sem maioria para formar governo sem recorrer a desertores de outros partidos ou ao apoio da bancada árabe. É o que indica uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo portal Zman Yisrael.

Em meio às disputas internas que desgastam os partidos de oposição a Netanyahu, o levantamento apontou que 67% dos eleitores do chamado “bloco da mudança” querem que seus quatro principais líderes — Naftali Bennett, Gadi Eisenkot, Yair Golan e Avigdor Liberman — se unam em torno de uma candidatura única a primeiro-ministro antes do pleito marcado para 27 de outubro.  

Enquanto isso, uma pesquisa divulgada na quarta-feira pelo Channel 13 mostrava o “bloco da mudança” ligeiramente à frente do grupo de Netanyahu, por 52 a 51 cadeiras. Na semana anterior, o mesmo canal havia colocado o bloco governista em vantagem pela primeira vez em meses — dado que chegou a ser celebrado pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump em suas redes sociais.

Tanto a pesquisa do Zman Yisrael quanto a nova sondagem do Channel 13 mostram que os partidos de maioria árabe continuam sendo o fiel da balança no cenário político. No entanto, as lideranças das duas alas já declararam que descartam formalmente negociar o apoio dessas legendas para obter maioria no parlamento.  

Na sondagem do Zman Yisrael, a antissionista Lista Árabe Conjunta obteria oito cadeiras, enquanto o partido tradicionalista Ra’am conquistaria seis — repetindo o desempenho do levantamento anterior do mesmo portal.

O Ra’am já sinalizou o desejo de integrar a próxima base governista. A legenda participou do “governo da mudança”, que destituiu Netanyahu temporariamente entre 2021 e 2022, após o próprio premiê ter negociado uma eventual adesão do partido à sua base à época.

Disputa na oposição

A nova pesquisa mostra o partido centrista Yashar, liderado pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI), Gadi Eisenkot, sustentando a liderança com 23 assentos (um a menos que na semana passada).  

Logo atrás de Eisenkot no “bloco da mudança”, aparecem:

 B’Yachad (direita), do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett: 12 cadeiras (frente a 14 na semana anterior);  

 Yisrael Beytenu (direita laica), do deputado Avigdor Liberman: 10 cadeiras (uma a mais que no último levantamento);

 Os Democratas (centro-esquerda), do ex-subchefe do Estado-Maior Yair Golan: 8 cadeiras (estável).

Bancada da situação

O Likud, partido de Netanyahu, figurou como a segunda maior força política no estudo, obtendo 21 cadeiras (ante 22 na pesquisa anterior).

Completam o bloco do primeiro-ministro: Shas (ultraortodoxo sefardita): 10 cadeiras (subindo de 9); Judaísmo da Torá (ultraortodoxo ashkenazita): 8 cadeiras (caindo de 9); Otzma Yehudit (extrema-direita), do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir: 6 cadeiras (queda de uma posição); Sionismo Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich: 4 cadeiras (estável).

A lista governista é fechada pelo partido Povo de Israel (Am Yisrael), liderado pelo ex-general direitista Ofer Winter, que obteve 4 assentos após ter ficado abaixo da cláusula de barreira no levantamento anterior.  

A legenda de Winter havia estreado no mês passado com 6 cadeiras, empurrando o Sionismo Religioso para baixo da cláusula de barreira. As duas legendas disputam a preferência do eleitorado religioso de direita descontente com a incapacidade do governo de aprovar a convocação de estudantes ultraortodoxos (haredim) para o serviço militar.  

A sigla de Smotrich conseguiu se reerguer ao se aliar a Moshe Feiglin, ex-deputado do Likud e líder do pequeno partido Zehut. Em reação, a candidatura de Winter perdeu tração quando Netanyahu — tentando inflar o Sionismo Religioso — passou a atacá-lo publicamente, acusando o ex-militar de planejar debandar para a oposição.  

Winter afirma que indicará o nome de Netanyahu ao presidente Isaac Herzog para a chefia do governo, mas mantém duras críticas às manobras do gabinete para blindar os ultraortodoxos do alistamento obrigatório.  

Regras do jogo

Pelo sistema eleitoral israelense, na semana seguinte à votação, cada bancada parlamentar pode indicar ao presidente do país um nome para formar o novo gabinete. Com base nessas consultas, o chefe de Estado escolhe o candidato com maior viabilidade política para negociar uma coalizão com maioria no parlamento. Se nenhum líder conseguir costurar o acordo no prazo estabelecido, o país é convocado para novas eleições antecipadas.

Líder do maior partido da oposição, Eisenkot acusou publicamente Bennett e Liberman na semana passada de comprometerem a viabilidade do bloco ao se recusarem a chancelar previamente o seu nome como candidato único ao cargo de primeiro-ministro.  

O líder da oposição Yair Lapid — cujo partido, Yesh Atid, fundiu-se com a legenda de Bennett como uma fração menor — deve reunir Eisenkot, Liberman, Bennett e Golan no sábado à noite para tentar alinhar os ponteiros.  

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